#PrêmioExu de Música Afro-brasileira valoriza a musicalidade e a ancestralidade africana no Brasil.
10/04/2018 - 21h38 em Música

 

Exu/ tu que és o senhor dos caminhos da libertação do teu povo/ sabes daqueles que empunharam teus ferros em brasa contra a injustiça e a opressão/ Zumbi, Luiza Mahin, Luiz Gama, Cosme, Isidoro, João Cândido/ sabes que em cada coração de negro há um quilombo pulsando/ em cada barraco outro palmares crepita... Abdias do Nascimento (trecho da poesia Padê de Exu Libertador)

 

É consenso que a música brasileira é, na realidade, musica afro-brasileira, e que é dificílimo encontar um único ritimo musical que aqui se criou que não tenha influencia dos povos bantu, jeje ou iorubanos – povos que foram arrancados de África para a escravidão nas Américas invadidas pelos portugueses, espanhóis, ingleses, fanceses e holandeses...

Mas onde se conservou, de onde vem essa musicalidade? Para quem não sabe, ela vem dos terreiros e dos quilombos... Territórios tradicionais de resistência política e cultural negra-brasileira, e lugar de afirmação de identidades que vieram dessa África Negra.

Em Belém, quando a ditadura Vargas acirrou a repressão aos “batuques”, o poeta modernista Bruno de Menezes mobilizou os intelectuais e estes entregaram, em novembro de 1938, um documento solicitando a liberdade de culto afro-religioso entregue ao interventor José Malcher, esse manifesto foi assinado por 25 poetas, cronistas, jornalistas e advogados é o reconhecimento que os territórios de resistência negra, os Terreiros e os Quilombos, são os celeiros que dão identidade para a arte e a cultura brasileira e amazônida.

Foi com essa motivação de afirmar a identidade negra na música paraense, amazônida e brasilera, que provocou a Rádio Exu – comunicação comunitária de matriz africana, a promover este festival. Foram 25 músicas de 14 compositores vindos de 3 estados da Amazônia Legal, Amapá, Maranhão e Pará, que trazem composições temáticas da valorização das lutas negras brasileiras e a ancestralidade africana e das encantarias e cabocos afro-brasileiros. Para nós, da Rádio Exu, esse festival aponta a perspectiva da produção musical de combate ao racismo e da valorização do patrimônio artístico e cultural afro-brasileiro e afro-amazônico.

O vencedor do Prêmio Exu de Música Afro-brasileira terá o direito de representar o Estado do Pará no Prêmio Atabaque de Ouro, um festival nacional que premia melodias de terreiro, e que acontece anualmente na quadra do GRES Tradição, no Rio de Janeiro.

Músicas inscritas e datas de apresentação  

17 de abril, terça-feira – início as 19h

Mal nenhum não há, de Marquinho Melodia

Xangô da Pedreira, de Marquinho Melodia

Amuletois da fé, de Marquinho Melodia

Sangue Negro (Rui Carmo)

Tambor Sagrado (Rui Carmo)

Africanos (Cobra Venenosa)

Carro Preto (Cobra Venenosa)

Feminista (Cobra Venenosa)

Não é da tua tutela (Amérika Bonifácio, Cassandra Bonifácio, Samily Maria)

Diásporas (Nega Ysa)

Revolução da negritude (Nega Ysa)

Beleza (Banda Afro Axé Dudu)

Um sonho de liberdade (Daniel do Cavaco)

 

18 de abril, quarta-feira – início as 19h

Salve Xangô - Vozes de Fulô

Eu tenho um alvo, Vozes de Fulô

Caminhar (Oswaldo Abreu)

Cadeia não é coração de mãe (Oswaldo Abreu)

Penacho de Ouro (Tambores Tucujus, composição de Fernando Baena)

Umbanda me Salvou (Pamela e Adrian)

Rosinha Malandra (Pâmela e Adrian)

Senhora do meu destino (Leonardo Sales Sena Chagas)

Sereia da Pena dourada (Jucilene, Luciane e Brena)

Maresia de Encantaria (Jucilene, Luciane e Brena)

Casa de tambor (Diogo de Souza Monteiro)

Rainha d'Angola (Mametu Muagile)

 

19 de abril, quinta-feira, início as 19h. FINALÍSSIMA

serãos 14 músicas, 7 de cada noite eleiminatória, classificadas para a final, sendo que somente uma música por compositor, ou grupo, poderá ser classificada para a etapa final.

 

A Comissão Julgadora, em todas as etapas, será formada por integrantes das organizações sociais e culturais que compõem a Rádio Exu e outros membros do movimento social negro, músicos e pesquisadores convidados para essa função, e cabe a ela todas as decisões sobre o julgamento do prêmio, inclusive para resolver eventuais questões omissas no regulamento.

Serviço

O Prêmio Exu de Música Afro-brasileira é aberto a compositores, músicos e intérpretes negros e/ou de comunidades quilombolas e/ou pertencentes a comunidades de povos tradicionais de matriz africana, mesmo que em parceria com outras identidades étnico-raciais, que afirmem a estética percursiva da musicalidade de matriz africana e abordem temáticas da valorização da ancestralidade africana de matriz jeje, yorubana ou bantu, assim como a valorização das encantarias e cabocos afro-brasileiros na perspectiva do combate ao racismo e/ou da valorização do patrimônio artístico e cultural afro-brasileiro e afro-amazônico.

O Festival acontece no Espaço Cultural Apoena, na Av. Duque de Caxias, 450 (esquina da Tv. Antônio Baena) em Belém/PA.

Datas: 17 e 18 de abril (eliminatórias) e 19 de abril (final).

Início: 19h.

Realização: Rádio Exu – comunicação comunitária de matriz africana http://radioexu.com

Ingreços a R$10,00 com meia entrada para estudantes e gratuidade para idosos e portadores de deficiência.

 

 

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