Banda Afro Axé Dudu concorre ao #PrêmioExu de música Afro-brasileira.
07/04/2018 - 21h06 em Música

 

A música Beleza foi uma construção em conjunto com o objetivo de valorizar a estética negra explorando os traços negros positivamente, uma vez que para a sociedade só existe um tipo de beleza a eurocêntrica. Então a música Beleza vem reforçar a auto estima da beleza negra a

Para nós do Axé Dudu é importante a participação no Prêmio Exú de Música para dar maior visibilidade nos assuntos relacionados a população negra o que é também um dos objetivos da Rádio Exú

 

Axé Dudú significa 'Força Negra', em yorubá - língua oficial da Nigéria. A Banda Afro Axé Dudu é remanescente do primeiro bloco afro do estado do Pará, e quiçá da Amazônia, que foi criado em 1987 pelo CEDENPA - CENTRO DE ESTUDOS E DEFESA DO NEGRO DO PARÁ - com o objetivo de resgatar a auto estima dos negros paraenses, já que não era comum naquela época observar grupo de negros andando juntos pela cidade e/o pelo Estado. E uma das estratégias utilizada pelo movimento era garantir que só negros e negras com características identitarias poderiam desfilar no cortejo que o Afro Axé Dudu fazia pelos diversos bairros periféricos da cidade. As características básicas era ter a cor da pele negra e cabelo pixaim. Mexeu com os brios de muita gente principalmente com a sociedade elitizada paraense que insatisfeita com a situação começava a chamar a maioria dos militantes do movimento negro de racistas.

Neste mesmo período o Apartheid da África do Sul chamava a atenção do mundo inteiro pelos massacres e genocídios sofridos pelas populações negras daquele País, inclusive pela prisão de Nelson Mandela, grande líder e militante da casa negra mundial.

Os Blocos afro Ilê Aiyê, da Bahia, e o Akomabu, de São Luís do Maranhão, tinham a mesma postura, e era preciso naquele momento tomar uma posição de afirmação do povo negro no enfrentamento do Racismo velado sofrido pelas populações negras em todo o país por muitas décadas.

O Afro Axé Dudu percorria mais de 20 quilômetros durante os cortejos que aconteciam durante os três dias do carnaval e sempre desfilava nas zonas periféricas da cidade onde a população negra se concentrava.

Os ensaios do Afro Axe Dudú sempre foram bem frequentados e ocorriam na sede da instituição ou nas ruas. Muitas vezes filas de pessoas se formavam para saber quem preenchia os requisitos para poder desfilar. Muitas das pessoas, conscientes ou não, se ofereciam para sair no apoio o que se tornou uma rotina durante vários cortejos. Negros e Negras dançando, e não negros protegendo e segurando as cordas.

Se você chegar hoje nas zonas periféricas de Belém, vai peceber de imediato que ninguém se esquece do afro Axe Dudu, as mães negras paraenses pediam para que seus filhos saísse no Afro Axe Dudu e por muitas vezes como se tratavam de crianças, a gente abria mão e garantia a participação da criança nos desfiles.

O Afro Axe Dudu não se resumia apenas aos eventos do carnaval. Trabalhava o ano inteiro com oficinas de confecção de instrumento, percussão, dança e trança afro. As temáticas do carnaval estavam sempre interligadas as luta contra o racismo e as letras das músicas sempre afinadas com os temas. No primeiro ano a homenagem foi direcionada a luta do movimento negro nas cores vermelha, verde amarela e preta.

Em 1988 saímos todos de branco para denunciar os 100 anos de uma abolição que não aconteceu de fato, pois continuávamos todos na sua maioria abaixo da linha da pobreza.

Por mais de 10 anos o Afro Axe Dudu espalhou pela cidade o Orgulho e a beleza da negritude focado sempre na força das nossas raízes ancestrais vindas de África.

Hoje as sementes plantadas floresceram e em cada canto da cidade sempre encontramos jovens e velhos negros e negras juntos lutando por cidadania e direitos.

Agora quem canta e encanta são as mulheres cantrizes da Banda Afro Axe Dudu que participam efetivamente das produções culturais do estado, como bienais de culturas, viagens para o exterior como protagonistas da própria essência afro brasileira impregnadas em cada um de nós.

Canta axe Dudu que teu ritual é de negros, identidade e resistência. Es a força mágica sagrada que nutre o universo preservando a vida pois os tambores clamam pela Amazônia pelo menor abandonado, negro, negro não pode ser discriminado.

Oya Oya é guerreira do canto e da cor. Oya Oya é guerreira do keto e nagô, porque quando toca os atabaques Axe Dudu é força negra.

CONTATOS: (91) 991519220 bbscorrea@bol.com.br (91) 982427370 carvalholene@ymail.com

 

A Banda Afro Axé Dudu se apresenta com a música Beleza no dia 17 de abril a partir das 19h - o Festival acontece no Espaço Cultural APOENA, na Av. Duque de Caxias, 450, em Belém/PA.

Foram 26 músicas de 14 compositores vindos de 3 estados da Amazônia Legal, Amapá, Maranhão e Pará, que inscreveram composições com as temáticas da valorização das lutas negras brasileiras e a ancestralidade africana e das encantarias e cabocos afro-brasileiros.

 

Para nós, da Rádio Exu, esse festival aponta a perspectiva da produção musical de combate ao racismo e da valorização do patrimônio artístico e cultural afro-brasileiro e afro-amazônico.

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