Priscila Duque e Hugo Caetano (Cobra Venenosa) concorrem ao #PrêmioExu
02/04/2018 - 19h40 em Música

Pelo período conservador que vivemos em nosso país, onde sofremos ataques todos os dias de todas as formas, é de suma importância a valorização e fortalecimento dos artistas negros. O festival deve ecoar aos quatro cantos afirmando que NÃO CALARAM NOSSO VOZ E NOSSO TAMBOR! Viva o Povo da Rua! Viva o Povo da Mata! Salve Prêmio Exu! Axé” Priscila Duque

 O "Cobra venenosa" se apresenta no dia 17 de abril a partir das 19h - o Festival acontece no Espaço Cultural APOENA, na Av. Duque de Caxias, 450, em Belém/PA.

Foram 26 músicas de 14 compositores vindos de 3 estados da Amazônia Legal, Amapá, Maranhão e Pará, que inscreveram composições com as temáticas da valorização das lutas negras brasileiras e a ancestralidade africana e das encantarias e cabocos afro-brasileiros.
Para nós, da Rádio Exu, esse festival aponta a perspectiva da produção musical de combate ao racismo e da valorização do patrimônio artístico e cultural afro-brasileiro e afro-amazônico. 

Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia

Grupo com inspiração no tradicional pau e corda, mescla contestação social à poética do carimbó para cantar um imaginário místico, mas também as dores e contradições da urbanidade desigual e selvagem do capitalismo.

Nascido das rodas de carimbó de Icoaraci em março de 2016, distrito de Belém, o Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia revela vitalidade e poder de reinvenção de um dos ritmos mais característicos do Pará. Fortalecendo a cultura popular do carimbó, o grupo ecoa versos contundentes de resistência e emponderamento feminista, antirracista e contra homofóbicos, dialogando com o público de forma reflexiva. “Música para balançar o corpo e envenenar a mente”

Inspiração que deu nome ao grupo

O nome surgiu a partir da música “O carimbo não morreu” - do disco “A volta do carimbó”, de 1994, do Mestre Verequete, no qual ele responde aos rumores de que seu carimbó havia “morrido” e se assume “cobra venenosa osso duro de roer”. O grupo renova essa ideia ao assumir um projeto jovem urbano, porém pau e corda como o tradicional, embebido de rimas críticas e de questionamento social, seu veneno e antídoto. O nome também faz referência à característica selvagem da Amazônia, repleta de encantos, mas tão assolada por contradições da modernidade quanto qualquer outra região do país.

Sendo idealizado por Priscila Duque, Jornalista Multimídia e Mestre em Sociologia (voz e maracas) e Hugo Caetano, Produtor, Poeta e estudante (banjo), o Cobra Venenosa atualmente possui uma formação flexível, incorporando em sua caminhada entre batuques novos artistas do circuito underground de Belém. Bom exemplo dessa mistura aconteceu durante o “Carimbó Itinerante”, em 2016, promovido durante o Círio de Nazaré, juntando batuqueiros da cena de resistência cultural. Outro episódio no mesmo sentido ocorreu durante o último mês de março, quando a mulherada de Soure (Marajó-PA) se juntou a Cobra Priscila Duque para a apresentação “Várias Mulheres que fazem Várias Amazônias”, na Casa Velha 226.

Preste a completar dois anos de estrada, rufando tambores e maracas, o grupo já se apresentou em festivais, casas de show em Belém e no interior do estado do Pará, tendo a honra de dividir o palco com Nazaré Pereira, durante homenagem ao Centenário do Mestre Verequete, em 2016. Também fez parte do 2º Ato Carimbó Patrimônio Cultural; abriu evento de lançamento do CD “Toque de Mestres”, do grupo Tambores do Pacoval, de Soure (Marajó), além de ter sido um dos grupos bastante presente nos atos culturais durante a onda de ocupações #ForaTemer em universidades, escolas e em atos na capital e interior do estado. Em setembro de 2016, fez uma participação no Pré-Lançamento do CD “Resultado da Mistura”, do grupo Estrela do Norte, contemplado pelo edital “Pauta Livre”, no Teatro Margarida Schivasappa.

No ano de 2017, o grupo iniciou suas atividades com o Projeto Mestres Urbanos da Vila de Icoaraci, realizando ao lado dos mestres da Vila Sorriso uma temporada de repercussão e sucesso de público na Cidade Velha.

No dia 02 de junho de 2017, a galera SubVersiva do grupo Cobra Venenosa Carimbó & Poesia invadiu o Sesc Boulevard Belém na apresentação "Carimbó Feminista convida Lariza Xavier e Ádrian Neves", no Festival Mulher. Arte. Narrativas. Ativismo (M.A.N.A), um festival inédito, que apresentou e reuniu dezenas de artistas e produtoras do Pará e de outros estados, envolvendo diferentes linguagens (música, artes visuais, discotecagem, poesia, além de oficinas e debates), tendo a participação de nomes nacionais do Movimento Negro e Feminista, como a Filósofa Djamila Ribeiro, o Slam das Minas SP e Slam Dandaras do Norte, e da música como Aíla da TF, Sammliz, entre outras mulheres incríveis que protagonizaram dias cheios de fraternidade e talento.

O ano de 2018 começou com o Cobra Venenosa batucando para as bandas do sudeste brasileiro na turnê independente “RIO – do Maguari ao de Janeiro”, onde o grupo fez varias apresentações na cidade do Rio de Janeiro e na cidade de Paraty.

No carnaval o grupo fez participação no bloco “Rebuceteio” na Cidade Velha, e puxou o bloco “Me Tomba” na Vila de Icoaraci além de uma animada participação junto com Mestre Jaci (do grupo Os Caçulas da Vila) no bloco “Roskof na Ilha”. No mês de Maio foi marcado pela participação no coletivo “AfroAmazônica” na cidade de Salvador-BA, o coletivo multicultural foi formado por Cobra Venenosa, Jeff Moraes, Rodrigo Ethnos, Camila Rodrigues e Yuri Granha, que mesclavam no mesmo espetáculo, música, poesia e teatro, participaram na programação cultural do Forum Social Mundial na Varanda Sapoti, se do GrupUsina de Teatro, tocando ao lado de grupos de cultura popular da Bahia como “Herdeiros do Samba de Irará”, fizeram uma participação na “Noite Aberta” na Casa Cultural da Mãe Iemanjá” na Praia do Rio Vermelho, e teve o carimbó Itinerante pelas ruas do Pelourinho.

O Cobra Venenosa | Carimbó & Poesia é independente e acredita no poder transformador da arte. Participa de ações de cunho socioeducativo em parceria com escolas públicas, organizações não governamentais, centros comunitários e fortalece iniciativas com outros coletivos que se alinham à missão da SubVersiva Produção Cultural Independente, trabalho que precedeu a formação do grupo e surgiu com intuito de articular/promover/somar ações e propor cenas culturais, envolvendo as diversas linguagens e artistas que ocupam por opção política ou são colocados às margens da elite artística tradicional, ofuscados ou renegados pelo monopólio hegemônico.

 

 

 

 

 

(foto de Douglas Moura)

Hugo Caetano é um apaixonado. É um poeta, músico - das ruas. Apaixonado pelas palavras e pelos livros. Seu interesse pelo cordel, e a inspiração para seus versos, surge do encontro poético dessas paixões pulsantes. Surge da vivência sensível às crônicas do cotidiano – aquelas que a pressa nos impede de perceber.

Mas nem só de cordel vive o homem. Ele não só escreve, também faz livros! Um poeta operário da literatura, que tem se procurado, às vezes se encontra - ou não... Afinal, a vida é uma busca. Foi baixista em diversas banda de rock autoral em Icoaraci e, apaixonado pela cultura popular , assumiu o banjo como novo desafio no Cobra Venenosa, musicando seus versos de cordel em ritmo de carimbó.

Morador da periferia de Belém militante Cultural, usa sua arte como ferramenta de transformação da sociedade, denunciando as contradições do capitalismo, e enaltecendo a luta do povo afroamazônico.

É produtor cultural independente e também faz poesia com luz e formas quando passeia pela fotografia. Hugo Caetano é “poeta, cantor de rua”, que nasceu para poesia - por ser um SubVersivo! Quando tudo parece áspero, suas rimas criativas e sensíveis trazem cor e leveza aos dias comuns.

Para o Premio Exu Hugo Caetano assina a autoria de duas músicas, ambas composta dentro dos coletivos de Belém, lugar onde o músico garante parte de sua renda tocando banjo e passando seu chapéu, “Carro Preto” denuncia a extermínio da juventude negra na periferia de Belém, praticado por milicianos, grupo de extermínio formado por civis e policias ou ex policias que agem como justiceiros e tem o apoio da chamada “bancada da bala”

 

Outra música é “Africanos” inspirada no grupo de carimbó Os Africanos de Icoaraci, faz alusão ao encontro ancestral de duas culturas que formam nossa identidade, negra, indígena, cabocla.

 

(Foto de Hugo Caetano)

Priscila Duque - Índia Negra e moradora da periferia de Belém, mulher sobrevivente e que luta por igualdade, nem menos, nem mais. Ativista das causas sociais e dos direitos humanos. Já fez parte de rádios comunitárias, equipes na cobertura de congressos, seminários e fóruns diversos em escala nacional, estadual e municipal. Experiente com Jornalismo Político, Sindical e Cultural.

Há cerca de dois anos passou a se aventurar pela performance e canto popular como co-fundadora, compositora, tocadora e cantadeira no grupo de carimbó Cobra Venenosa, de Icoaraci. A partir dessa experiência, acabou descobrindo uma artista que desconhecia e que cada vez parece ter mais fome e sede por expressar emoções e poesia com o corpo e a voz.

Já participamos de vários festivais e realizamos shows em diversos municípios no estado do Pará, além de realizarmos apresentações independentes no Rio de Janeiro e Salvador neste ano de 2018. 

Mergulha em possibilidades ainda desconhecidas, porque desafio é vício e quanto maiores, mais instigam, inspiram e libertam.

Mulher de 30 anos que renasceu e reaprendeu quase tudo nos últimos anos por meio do carimbó e da cantoria performática. Mudou sua fala, mudou sua aparência, mudou seus sonhos.

E quer mergulhar fundo nesse universo.

Para o #PrêemioExu, Priscila Duque assina a composição de “Feminista” um manifesto poético, um grito de liberdade que ecoa com o pulsar dos tambores venenosos, inspirada na sua vida, “Feminista” é sempre um momento especial, talvez a parte mais visceral do show do Cobra Venenosa, toca fundo no coração de todas as mulheres e segundo relato, já evitou suicídio, esse é um texto atemporal, que aparentemente Priscila trás consigo de outras vidas.

 

 

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