Belém/PA - Sua escola celebra a memória de luta de Mãe Doca, e o 18 de março?
20/03/2017 - 14h06 em Novidades

Se a instituição escola, assim como bibliotecas e outras isntituições culturais e, mais, os jornais e rádios e emissoras de televisão, todos eles silenciam sobre a memória da Mãe Doca e a celebração do 18 de março no Estado do Pará, entenda que essa ausência é proposital e é faz parte das estratégias de reprodução do racismo que sustenta a sociedade escravocrata brasileira. E a cada vez que professores e diretores de escola se negam a transmitir o conhecimento sobre Mãe Doca, eles colaboram com o RACISMO INSTITUCIONAL e com a manutenção do escravismo no Brasil.

O dia 18 de março regis tra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como “Mãe Doca” e é é dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (em Belém/PA, autoria do vereador Ildo Terra/PT) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (no Pará, autoria da deputada Araceli Lemos/ PsoL).  A homenagem é uma celebração à memória da luta de Nochê Navanakoly, que era maranhense de Codó e filha de santo do africano Manoel-Teu-Santo. Seu Vodun era Nanã e Toi Jotin. Foi Dona Rosa Viveiros, que em 1891 - apenas três anos após a abolição da escravatura - enfrentou o racismo e outros preconceitos da época e inaugurou seu Terreiro de Tambor de Mina na capital paraense.   Mãe Doca foi presa várias vezes porque cultuava as divindades africanas e preservava as tradições de matriz afro-amazônica, e nem por isso desistiu de manter aberto o terreiro que dava lugar para a manutenção das tradições de sua origem negra africana.   A consciência negra foi o que motivou Mãe Doca a enfrentar os desmandos da polícia e o poder constituído em alicerces racistas e discriminatórios. E pelo reconhecimento do valor da luta de Mãe Doca por cidadania e o direto humano de consciência religiosa, é que as lideranças de povos tradicionais de matrizes africanas, lideranças que hoje continuam como herdeiros da mesma resistência que desde o final do século XIX se mantém na luta que enfrenta o racismo que demoniza as tradições afro-amazônicas.

É por reconhecer a importância de manter viva a memória de nossas lutas cotidianas, e é em sua homenagem que celebramos o dia 18 de março como o dia da Umbanda e das religiões Afro-brasileiras.

Neste domingo, dia 19 de março em que o Tambor de Mina cultua Don Jośe, o povo tradicional de matriz africana foi à Praça da República, em Belém, para, mais uma vez, enfrentar o aparelho de repressão estatal e o racismo institucional, deste vez protagozinado por agentes da SECON – Secretaria Municipal de Economia (Belém) que tentaram retirar os postos de vendas da Feira Preta e da Kitanda Afro dos arredores do “Quilombo da República”. Apesar de toda a violência que incide sobre o povo negro, ainda assim resistimos e celebramos com alegria a memória de nossas heroínas e de nossos heróis.

 

Vivas à Mãe Doca!!! Só morrem aqueles que deixamos cair no esquecimento, e nós mantemos viva a memória de Mãe Doca.

 

 

 

 

 

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