“TAMBORES DE FÉ” – AXÉ DUDU E ITA LEMI SINAVURU

SOBRE O EVENTO

Início: 31/08/2017 20:00h
Fim: 02/09/2017 19:00h
Onde: Teatro Waldemar Henrique

TAMBORES DE FÉ” – AXÉ DUDU E ITA LEMI SINAVURU


“Tambores De Fé – Axé Dudu e Ita Lemi Sinavuru”, show e gravação de um DVD com músicas inéditas e releitura dos sucessos já lançados na trajetória de trinta anos do Afro Axé Dudu que significa Força Negra na língua Yorubá, do CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará e os quinze anos do Afoxé Ita Lemi Sinavuru, que significa ‘pedra forte de felicidade’, da AFAIA – Asoociação dos Filhos e Amigos do Ile iya Omi Asé Ofá Karé, é uma mistura rítmica que não deixa ninguém ficar parado. O afro da Banda Axé Dudu navega pelo carimbo, síria, lundu, marabaixo, ijexá e samba enquanto o axé do som pulsante do Afoxe Ita Lemi Sinavuru vem dos terreiros e abassás, das energias que reverberam dos rituais do Candomblé, Pajelança, Babassuê, Mina e umbanda.

Os tambores falam a linguagem da vida no mato, nas águas, no ar ou na terra e o corpo obedece, pois, as forças dos ancestrais sabe que o som também é quem busca e alimenta o movimento que dinamiza a vida. Todas as músicas do repertório são de artistas negros locais que expressam essa beleza negra amazônica de ser. Juntar essas energias em um só palco vai ser muito bom ver e de ser, vai ser muito “pai d’égua”, como se expressa o paraense quando realiza um sonho, e vence uma luta. Olhar ao redor e ver a negrada toda junta, vai ser uma grande vitória, pois o Pará tem uma população de mais de 70% de pretos e pardos e há 30 anos atrás, raramente, se via negros e negras andando juntos pelas ruas da cidade, fruto do que significou o colonialismo no Brasil, que levou descendentes de africanos aqui trazidos na condição de escravos e escravas a negar seu pertencimento étnico. Foi essa problemática que levou os militantes do movimento negro local a criar o Bloco afro Axé Dudu com o objetivo de contribuir no resgate da autoestima do negro no Pará. O Bloco Afro Axé Dudu fez o carnaval da periferia de Belém por dez anos e depois virou BANDA Afro Axé Dudu formada por quatro mulheres negras cantantes e quatro percussionista. Em 2003 surge o Ita Lemi Sinavuru para ocupar os espaços das ruas e quando o Ita Lemi passa todo mundo canta dança. É só alegria. Esse projeto tem como fonte de inspiração as raízes da negritude sempre presente no cotidiano do Pará, e é de salutar importância difundir a cultura e tradição afro brasileira, não só através da música, mas em todas as formas de expressões artísticas, culturais ou não para despertar uma consciência social voltada para a formação de valores, hábitos e comportamentos éticos que respeitem as diferenças e as características próprias de grupos e “minorias”, contribuindo assim para o resgate, a manutenção, valorização e o fortalecimento de nossas raízes negras através do exercício da cidadania plena.

A Amazônia é negra!

 

A presença negra africana na região Amazônica pode ser vista como marcador identitário de grande relevância, haja vista, está fortemente presente no cotidiano de nossa região, visivelmente marcada pelos ritmos, batuques, pela expressão corporal que em muitos aspectos apresentam elementos ligados à religiosidade. A presença do negro também pode ser percebida na produção literária paraense, tais como O Batuque (1939), obra célebre do literato e folclorista negro paraense Bruno de Menezes, conhecido nacionalmente por sua produção que retrata de forma muito intensa e calorosa a negritude, os ritmos, as tradições e o amor, elementos que fizeram deste poeta um grande influenciador na obra de muitos outros intelectuais modernistas não só na região amazônica, mas em todo o Brasil na primeira metade do século XX. O contexto histórico nacional foi um dos grandes influenciadores para que inúmeros movimentos sociais se manifestassem contra o cenário de discriminação gerados ainda pela pseudo abolição.

A segunda metade do século XX é marcada então pelo surgimento de manifestações culturais motivados pela luta por equidade e respeito às tradições africanas. Nesse contexto, o Bloco Axé Dudu foi o primeiro bloco afro do estado do Pará e, quiçá da Amazônia criado pelo Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA, em 1987 com o objetivo de resgatar a autoestima dos negros paraenses. Este percorria mais de 20 quilômetros na cidade de Belém em cortejos que aconteciam durante os três dias do carnaval desfilando, sempre nas áreas periféricas da cidade onde a população negra se concentrava e concentra-se até hoje. O Afoxé Ita Lemi Sinavuru foi fundado em 2003, e é um movimento de africanidades, de comportamento específico. Seus foliões na sua maioria estão vinculados a diversos Terreiros de Candomblé de Ketu, Angola, Gege, Umbanda, Mina Gege, Mina Nagô e Pajelança.

Dessa maneira, a diversidade presente na musicalidade de nossa região, representada na produção musical destes dois grupos, trás consigo os encantos de uma região de grande riqueza cultural e que deve ser difundida, vivenciada e valorizada. Assim, este projeto pretende desvelar o universo da musicalidade afro-amazônica presentes no afoxé, no ijexá, no babaçuê, no carimbó, no siriá que são ritmos que trazem em sua essência elementos destes segmentos étnicos, fazendo com que estes possam também colaborar para a formação cidadã e consciente.


A resistência é a fonte da nossa força, a voz, a poética e os sons dos atabaques é o grito pela igualdade, a cultura e a tradição é a nossa matéria prima. A arte e a musicalidade, neste contexto, visa difundir e fortalecer a cultura afro-amazônica, por meio da riqueza cultural impressa nas melodias, ritmos e batuques regionais impressos nas músicas entoadas pelo Bloco Axé Dudu e do Afoxé Ita Lemi Sinavuru..

 

FICHA TECNICA

PRODUÇÃO EXECUTIVA: EDSON CATENDE

DIREÇÃO DE ARTE: ISABELA DO LAGO

DIREÇÃO MUSICAL: THIAGO D’ALBUQUERQUE

ART DESIGNE E MULTIMIDIA: EMANUEL BLACK

ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Ju d’Oya, Brena Correa, Janaina Andrade e Gisele Barroso

TECNICO DE LUZ: LUIZ OTÁVIO FAISCA

CAPTAÇÃO DE IMAGEM: MAYCON NUNES E GIOVANI PANTOJA

SONOPLASTIA: JULIO SOM

CONTRA REGRA/Assistente de Sonoplastia: ALEXANDRE REIS

FIGURINO: Edson Catende/Emanuel Black/ Idalia Telles

Direção de Fotografia: Úrsula Bahia

Fotografia: Karina Martins e Marcelle Moura

MÚSICOS:

AFRO AXE DUDU: Voz principal: Aparecida D’oiya. Backing Vocals: Idalia Telles, Xocheid Belém, Eneida D’albuquerque; Percussão: Brena Correa, Silvio Pereira, Jodair Veloso, Sandro Gonzaga , Oranian Albuquerque, Ariaran Albuquerque..

ITA LEMI SINAVURU: Voz principal: Edson Catendê, Backing Vocals: Emanuel Black, Janaina Andrade; Contra-baixo: Anderson Salgado, Violão: Cassio Santos, Cavaquinho: Ariran Albuquerque. Percussão: Cleber de Xangô, Wellton Icoaraci, Thiago Pirarucu.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: MARIZA BLACK, JEFF MORAES, RENATINHO DA BAHIA E PATRICIA GOMES. Performances: Naune Cruz (abayomi); Bambare arte e Cultura Negra (Negrumes I e II).

REALIZAÇÃO: AFAIA

Patrocínio: “NEGRUMES PERFIL”.

Contatos e informações: (91) 991207999, 981760350.

SERVIÇO:

Show: “TAMBORES DE FÉ”

SHOW E GRAVAÇÃO DO DVD TAMBRES DE FÉ COM AFRO AXE DUDU E AFOXEW ITA LEMI SINAVURU. DIAS 30, 31 DE AGOSTO E 01 DE SETEMBRO de 2017 20H

DIA 02/SETEMBRO AS 19H.

Teatro WALDEMAR HENRIQUE, Praça da República s/n. Belém-Pará.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

DIA 30/08 MARIZA BLACK

Dia 31/08 RENATINHO DA BAHIA

Dia 01/09 JEFF MOARES, RENATINHO DA BAHIA E PATRICIA GOMES

Dia 02/09 RENATINHO DA BAHIA E PATRICIA GOMES

INVESTIMENTO: R$20,00 (VINTE REAIS); MEIA R$10,00. ISENÇÕES LEGAIS 

MAPA

Clique para habilitar o mapa
Teatro Waldemar Henrique